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Edição nº 2 - ANO 3
Dezembro de 2016

EDITORIAL
CAFÉ COM MARTUS TAVARES
Confira como foi o encontro promovido pelo IRELGOV em São Paulo
PESQUISA
Levantamento sobre reputação de profissionais da área entra em sua 2ª fase
ACONTECE
Participe da missão internacional para Bruxelas
NOTAS
ENTREVISTA
Prof. Manoel Santos fala sobre regulamentação e futuro do lobby no Brasil
SAIU NA IMPRENSA
Lobby, qualquer caminho serve?
ARTIGO
IRELGOV na Virada Política: como a sociedade e o mercado se relacionam com a política

EDITORIAL

Prezados Associados,

É com satisfação que lhes escrevo este primeiro editorial como presidente do IRELGOV.

Assumi o Instituto a convite deste seleto grupo de profissionais de relações governamentais que tocam a entidade desde a sua fundação, e é um prazer e um desafio dar continuidade ao trabalho bem-sucedido destes primeiros dois anos de atividade.

Atualmente, contamos com dez Conselheiros e seis Diretores, que dedicam seu tempo como voluntários pela causa da transparência e do aprofundamento da maturidade na relação entre o setor privado e o Estado brasileiro, em todas as instâncias de atuação. Além destes, vários associados têm contribuído com seu tempo, conhecimento, e dedicação para o avanço da discussão sobre os temas que o IRELGOV, como o primeiro Think Tank de relações governamentais no Brasil, propôs-se a pautar no debate nacional.

Vivemos neste ano de 2016 um dos períodos mais complexos politicamente no país, com o segundo processo de impeachment presidencial desde a redemocratização, além dos desdobramentos das operações de combate à corrupção, com a Lava Jato e outras que a ela se seguiram. Se, de um lado, estes eventos chocaram o Brasil, tiveram repercussão internacional e ameaçaram de paralisia a agenda no Executivo e no Legislativo, de outro, a superação e o correto cumprimento de importantes etapas neste processo demonstraram a maturidade e a força das instituições do país, e trouxeram como efeito colateral positivo um reforço dos valores defendidos pelo IRELGOV para a atuação dos profissionais de relações governamentais. Compliance é claramente o nome do jogo.

Na esteira destes processos, vimos também avançar a discussão sobre a necessidade de regulamentação das atividades de lobby no país, como se fossem estas as responsáveis pelos eventos investigados no âmbito das operações de combate à corrupção. A posição do IRELGOV é completamente favorável às ações que ampliem a transparência nas relações entre o privado e o público no Brasil, mas não podemos aceitar que as atividades ora sob investigação da Polícia Federal sejam decorrentes do lobby. O lobby é a atividade legítima de representação de interesses, dentro da lei e da moralidade, dos diversos grupos da sociedade frente ao Estado. O que ocorreu na Lava Jato não é lobby, é crime.

Acreditamos que este debate é positivo, saudável e assim o estimulamos, mas não apoiamos a precipitada aprovação de legislação – muito menos na forma de emenda constitucional – que pode burocratizar a legítima e legal representação de interesses da sociedade junto aos agentes públicos, na tentativa infrutífera de aplicar o remédio errado ao problema em questão. Assim, vimos a necessidade de nos manifestarmos publicamente e assim o fizemos, conforme posicionamento divulgado nesta edição da newsletter clique aqui.

O debate sobre o tema deve continuar ao longo de 2017 e, nessa direção, estamos planejando focar nossas ações para o ano que vem na elaboração de um manual de boas práticas em relações governamentais, bem como avançar as atividades no pilar educação, notadamente através da renovação de parcerias acadêmicas e de uma viagem de benchmarking em práticas de relações governamentais para Bruxelas, entre outras iniciativas que serão divulgadas posteriormente.

O trabalho do IRELGOV somente é possível por meio da atuação voluntária de todos os seus membros, que enxergam na causa a possibilidade de contribuir para a transformação do Brasil em uma nação mais próspera, onde a transparência é o marco que rege as relações, sejam elas privadas ou públicas. Assim, esperamos contar com sua contribuição, suas ideias, seu tempo, para continuarmos avançando nossa causa.

Um excelente final de 2016 e um 2017 ainda mais próspero para você e sua família!


Erik Camarano

EXPEDIENTE #02
ANO 3 - DEZEMBRO DE 2016

NEWSLetter é uma publicação do Instituto de Relações Governamentais.

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Conselho Deliberativo:
Erik Camarano
Larissa Wachholz

Anselmo Takaki
Cinthia Battilani
Gabriel Di Blasi
Kelly Aguilar
Manoel Fernandes
Paulo Dantas
Silene Moneta
Valeria Café

Diretoria:
Bruno Perman
Diogo Jodar
Eriça Tomimaru
Rodrigo Cintra


Coordenação:
Valeria Café e Cintia Torquetto

Textos:
Fundamento RP

Criação e Editoração:
Percepção Comunicação Empresarial



EM EVENTO DO IRELGOV, MARTUS TAVARES FALA SOBRE SUAS EXPERIÊNCIAS NOS SETORES PÚBLICO E PRIVADO


O vice-presidente de Assuntos Corporativos da Bunge no Brasil, Martus Tavares, participou de bate-papo promovido pelo IRELGOV, no dia 29/11, no escritório da Demarest Advogados, em São Paulo. Em evento que reuniu cerca de 30 profissionais da área, Tavares falou sobre suas experiências profissionais e fez um balanço do atual cenário político-econômico no país. Ex-ministro de Planejamento, Orçamento e Gestão do governo Fernando Henrique Cardoso, o executivo também é associado do Instituto.

Um dos pontos destacados durante a fala de Tavares foi a importância da formação e do preparo dos profissionais que decidem atuar tanto no setor público quanto no privado. “Quando você chega preparado para o seu novo local de trabalho, você absorve muito mais e compreende melhor o que está a sua frente. A minha experiência no governo foi muito rica, mas devo isso à minha formação. Apenas com uma boa formação e um bom preparo, você será capaz de opinar e avaliar assuntos e ideias”, afirmou.

Tavares falou ainda das diferenças e semelhanças entre os setores, em especial no tocante à governança. “Existem atualmente muitos instrumentos de governança no setor público, mas em alguns momentos falta a eficiência e a objetividade que você encontra nas empresas privadas”.

Reconhecido por sua importante participação na elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a Lei Complementar 101, de 2000, o executivo relembrou o momento ao responder a uma pergunta dos presentes. “Todo o processo - desde a elaboração, passando pelas audiências públicas, roadshows com governadores e secretários de Fazenda pelo Brasil, até a votação, que já seria suficiente para aprovar uma emenda à Constituição - foi seguido por um debate muito intenso e transparente. Formou-se uma opinião favorável a respeito de um tema complexo, mas muito importante. Tenho orgulho desse trabalho, que foi uma das passagens mais bonitas da minha carreira”, concluiu.

Sobre o atual cenário político-econômico, Tavares afirmou que a situação é complexa. “Estamos diante de um cenário novo e ainda instável. O que vemos hoje é o receio nas relações em ambos os lados”, disse durante evento

Para Erik Camarano, presidente do IRELGOV, Tavares exerceu um papel fundamental de liderança no setor público no Brasil. “Encontros como o de hoje atendem a um dos principais objetivos do instituto, que é a promoção do diálogo sobre a atividade dos profissionais de relações governamentais. A presença de pessoas ilustres como o ex-ministro Martus Tavares só enriquece o debate em torno de práticas cada vez mais transparentes e eficazes no tocante às relações entre entes públicos e privados”, afirmou ele ao final do evento.




LEVANTAMENTO SOBRE REPUTAÇÃO DE
PROFISSIONAIS DA ÁREA ENTRA EM SUA 2ª FASE

O IRELGOV, em parceria com a Fundamento RP, apresenta a segunda fase da pesquisa que visa mensurar o nível de conhecimento sobre o profissional de relações governamentais e sua atuação. Nesta etapa, os entrevistados serão os profissionais da área e um dos objetivos é conhecer quem são, onde estão e o que pensam os atuantes em relações governamentais.

O questionário está divido em 32 questões, que abordam temas que vão de formação acadêmica desses profissionais a opiniões sobre atuação nas empresas e expectativas diante do atual cenário político-econômico brasileiro.

As respostas serão coletadas até 20 de janeiro e o acesso ao questionário será feito por meio do link: https://pt.surveymonkey.com/r/2M3GS8T

A próxima etapa, que tem previsão para ocorrer no primeiro semestre de 2017, terá como público-alvo agentes públicos.




PARTICIPE DA MISSÃO INTERNACIONAL
PARA BRUXELAS COM O IRELGOV

Em maio de 2017, os associados do IRELGOV poderão participar de uma missão internacional organizada pela Diretoria de Eventos e Captação. O destino é Bruxelas, na Bélgica, principal sede da União Europeia, onde os executivos irão conhecer as melhores práticas da atividade de relações governamentais no bloco econômico. Na ocasião, os participantes serão recepcionados por Guilherme Athia, Vice-presidente de Relações Governamentais para Europa, Oriente Médio e África da Nike e ex-presidente do Instituto, atualmente residente naquele país.

O IRELGOV conduzirá o time de executivos brasileiros a visitas às sedes europeias de grandes empresas globais, além de órgãos de governança da União Europeia. Palestras e cursos também estão incluídos na programação. Ao todo, serão seis dias de missão com a previsão da participação de um grupo de até 20 executivos da área de relações governamentais associados ao IRELGOV.

A agenda tentativa da viagem será enviada em janeiro de 2017, quando serão abertas as inscrições.

COMITÊ DEFINE POSICIONAMENTO SOBRE REGULAMENTAÇÃO DO LOBBY NO BRASIL


O Instituto de Relações Governamentais (IRELGOV) foi criado com o intuito de se tornar uma referência, produzindo e difundindo informações relevantes, que contribuam com as atividades dos profissionais de Relações Governamentais.

Nesse sentido, formou-se recentemente, a partir de um convite aberto a todos os associados, o Comitê de Regulamentação do Lobby. “Estamos passando por grandes transformações na democracia. Podemos citar os movimentos Pré-Copa do Mundo que pressionaram o Congresso a aprovar a Lei Anticorrupção (sem essa lei não seria possível a Operação Lava-Jato). Todos esses movimentos pressionam o amadurecimento das nossas instituições e a forma com que os setores se relacionam com os entes públicos” afirma Bruno Perman, associado do IRELGOV e Coordenador do comitê.

Os integrantes têm o objetivo de discutir as propostas de regulamentação do lobby no Brasil - entre elas o PL 1.202/1997, o PLS 336/2005, a PEC 47/2016, que tramitam no Congresso, acompanhar as propostas que estão sendo elaboradas pelo grupo de trabalho criado pelo Ministério da Transparência e sumarizar o entendimento do IRELGOV sobre o tema, sempre norteado pela transparência e ética como principais pilares.

“Temos que contribuir com a evolução do sistema. A melhor forma de fazer isso é por meio da transparência, sempre oferecendo accountability ao processo. Ao mesmo tempo, devemos discutir como evitar que uma regulamentação que seja restritiva ou até mesmo impeditiva aos grupos que desejam defender os seus interesses junto ao Congresso Nacional”, complementa Perman.

Composto por profissionais que atuam na função de Relações Governamentais e representantes de grandes empresas, as discussões do comitê vislumbram contribuir para os debates sobre o tema no Brasil, para a construção de um posicionamento legítimo e o desenvolvimento de ações conectadas às demandas do mercado.

Veja abaixo o posicionamento do IRELGOV sobre a Regulamentação do Lobby no Brasil:




Sobre o Instituto de Relações Governamentais:

  • O IRELGOV é o primeiro instituto de relações governamentais do Brasil.

  • Fundada em 2015 por profissionais de relações governamentais, a entidade sem fins lucrativos tem como principal objetivo elevar o grau de profissionalismo, competência e padrões éticos da atividade ao posicionar-se como um Think Tank para a área. O IRELGOV está estruturado em dois pilares fundamentais - Reputação e Educação - e nos princípios de legitimidade, legalidade, transparência e boas práticas, desenvolvendo informação e trazendo conhecimento relevante para o dia a dia do profissional de forma a fomentar o diálogo entre os setores da economia e compreender as tendências do mercado.

Sobre a Regulamentação do Lobby:

  • O IRELGOV acompanha as discussões sobre a regulamentação do Lobby, tanto no Senado Federal, quanto na Câmara dos Deputados e também no Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), que criou um Grupo de Trabalho para propor mudanças à regulamentação vigente nas atividades de lobby no Brasil.

  • O IRELGOV acredita que a regulamentação da atividade do Lobby é fundamental, desde que vise fomentar o diálogo e a participação da sociedade na construção de políticas públicas, bem como a melhoria da qualidade de vida da população, por meio de um processo transparente, ético, legítimo e colaborativo.
  • O debate sobre a regulamentação do lobby no Brasil começa a aceitar e discutir que se trate a atividade de relações governamentais como instrumento democrático, que objetive a construção de um ambiente regulatório equilibrado; que seja instituído por um modelo aberto de democracia participativa; e que seja garantida voz às partes impactadas pela norma resultante de processos de decisão política. É nessa direção que o IRELGOV espera que o debate evolua.

  • O foco dessa discussão deve estar nos processos e procedimentos de participação das partes impactadas durante a criação e revisão de políticas públicas, com definição de boas práticas e de sanções para aplicação às más práticas.

  • Representar interesses em processos de decisão política é contribuir para seu resultado com dados, informações, análises de risco e impacto, argumentos e sugestões, agindo de boa-fé e observando a integridade do conteúdo oferecido ao tomador de decisão e às demais partes interessadas.

  • A Regulamentação do Lobby não deve ser interpretada como a normatização da profissão e da disciplina do Lobby como atividade, que são matérias de natureza diversa e devem ser objeto de norma específica. O IRELGOV sugere que este ponto seja discutido à parte.




REGULAMENTAÇÃO DO LOBBY:

O QUE OS ASSOCIADOS DO IRELGOV PENSAM

Durante o mês de outubro o IRELGOV realizou pesquisa para identificar o posicionamento de seus associados sobre a Regulamentação do Lobby no Brasil.

A pesquisa revela que, se por um lado 80% dos entrevistados ratificam a necessidade da regulamentação da função no país, não há um consenso em relação à Proposta de Emenda Constitucional - PEC 47/2016 - apresentada recentemente pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Para a maioria dos entrevistados (80% dos respondentes), que destacam que a função do lobby não deve ser restrita apenas a categorias profissionais determinadas – a PEC 47/2016 não é adequada se comparada a outras propostas de regulamentação da atividade que tramitam no Congresso.

Segundo os participantes do levantamento, a PEC 47/2016 também não se mostra pertinente ao combate à corrupção. Em relação às prerrogativas e à representação de interesses, a proposta de emenda constitucional é considerada adequada por 57% da amostra analisada, mas por outro lado, ela leva à criação de muitos procedimentos diferentes, que dificultariam a formulação de uma estratégia corporativa única, além de não apresentar procedimentos que constranjam atos corruptos.

Por fim, os entrevistados não chegam a um consenso em relação à burocracia no processo proposto pela PEC, que pode aumentar sem ampliar os ganhos significativos para o combate à corrupção. Metade dos respondentes acredita que a PEC aumenta a burocracia e a outra metade discorda desta afirmação.

A pesquisa foi realizada por um questionário online e divulgada aos associados do IRELGOV por e-mail.




COMITÊ DE COMUNICAÇÃO E PESQUISA PREPARA AÇÕES PARA 2017

Reunião realizada no dia 21 de outubro, na sede do IRELGOV, deu início aos preparativos das atividades do Comitê de Comunicação e Pesquisa para 2017. As ações programadas têm como objetivo ampliar as práticas já existentes, visando apoiar os pilares de Reputação e Educação, contribuir para o desenvolvimento da rede de associados, além de posicionar o instituto como referência no segmento.

“Uma das propostas desse novo grupo de voluntários é trabalhar a questão do relacionamento entre profissionais e empresas aliado à produção de conteúdos relevantes, contribuindo para tornar o IRELGOV em referência sobre a atividade de Relações Governamentais no Brasil, no melhor exemplo de ‘Dialogar para Transformar’ ”, afirma a Coordenadora do comitê, Valeria Café.

A princípio, as atividades serão divididas em três frentes: Pesquisa – que inicia sua segunda fase sobre a reputação dos profissionais da área (saiba mais), Comunicação com Associados e Mercado – com foco nos canais internos e de mídia própria, e Comunicação com Stakeholders – com especial atenção para imprensa, formadores de opinião e governo.

As reuniões do grupo serão mensais, às terceiras sextas-feiras do mês, sendo que a próxima está agendada para o dia 16/12. Interessados em integrar o comitê e os subgrupos, que não tenham participado das primeiras reuniões, podem entrar em contato com Marcia Silva, por meio do irelgov@irelgov.com.br para obter mais informações.

ENTREVISTA

REGULAMENTAÇÃO
DO LOBBY:

O FUTURO DA ATIVIDADE DE
RELAÇÕES GOVERNAMENTAIS
SEGUNDO MANOEL SANTOS




O IRELGOV entrevistou o coordenador do curso de Ciências Políticas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Professor Manoel Santos, sobre as consequências da regulamentação do lobby e as tendências para os próximos meses. Confira:


Existem atualmente quatro projetos de lei sobre a regulamentação do lobby tramitando no Congresso. O que o senhor acha destes projetos?

Sou mais simpático ao substitutivo proposto pela deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). Acredito que ele conseguiu captar melhor a atividade de Relações Governamentais, com uma regulamentação mais enxuta e parcimoniosa, a meu ver mais ajustada às características do Brasil, relatando bem o dia a dia da atividade.

A mais recente, PEC 47/2016, é a mais arrojada porque traz a possibilidade de apresentação de emendas por parte dos grupos de interesses no Legislativo, como parte do projeto. Concordo que a legislação deve promover e melhorar o acesso e a participação dos grupos de interesses, mas acho um que há um certo exagero neste aspecto, porque quem tem essa função são os deputados, já que os profissionais de Relações Governamentais não foram eleitos e possuem interesses específicos. A proposta é bastante ampla e tem boas ideias, mas ela peca pelo excesso.

Arquivo Pessoal

“Creio que o lobby deva ser exercido por todos, mas para isso, deve ser proposta algum tipo de indução para formação, algum investimento em conhecimentos de Relações Governamentais”



Qual é a melhor e a pior alternativa para a regulamentação do lobby?

Acredito que o substitutivo da Cristiane Brasil regulamenta o lobby de uma forma mais direcionada para o que vivemos no Brasil. O projeto regulamenta também o acesso, que hoje é restrito. Acredito que ele deva ser regulamentado em um conjunto de normas que tragam essas condições. Já em relação a PEC 47/2016, não colocaria muita força neste projeto.


O senhor acredita que o lobby deva ser exercido somente por categorias determinadas em lei (advogados, relações públicas, cientistas políticos, etc.)?

Não. Creio que ele deva ser exercido por todos, mas para isso, deve ser proposta algum tipo de indução para formação, algum investimento em conhecimentos de Relações Governamentais. Hoje existem diversos cursos que buscam ensinar fundamentos da prática no país e acredito que isso é importante para gerar algum critério de seleção.


Desta forma, o senhor acredita que a sociedade civil terá espaço para participação de políticas públicas, atendendo, por exemplo, ONGs e pessoas em geral?

Existem pessoas que fazem contato esporádico com o Parlamento e existem grupos que realizam esta interação de forma mais profissionalizada, até em setores da sociedade civil, como por exemplo os ambientalistas. Neste caso, acredito que deva haver um controle e uma regulação para estes públicos.


Como essas pessoas poderiam contribuir mais com a proposição de políticas públicas?

As pessoas que realizam o contato esporádico com o governo devem trazer oportunidades de discussão e buscar sempre isso. Os grupos de contato no governo devem estar sensíveis aos temas que serão debatidos. Assim, podem ser formadas coalizões que possuem a mesma agenda e o estímulo a essas coalizões é positivo para uma ação política cada vez mais profissionalizada e útil ao tomador de decisão.

Saiu na imprensa

Confira o artigo de Kelly Aguilar, conselheira do IRELGOV, intitulado Lobby, qualquer caminho serve? no link: http://irelgov.com.br/lobby-qualquer-caminho-serve/, publicado originalmente no JOTA - no último dia 21/11.

ARTIGO

VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO PARTICIPA DE DEBATE SOBRE RELAÇÃO ENTRE SOCIEDADE E POLÍTICA

Larissa Wachholz, VP do IRELGOV, participou da 3ª edição da Virada Política, no painel ‘Advocacy e Lobby: como a sociedade e o mercado se relacionam com a política’. O evento, realizado no dia 1º de outubro, teve o objetivo de aprofundar opiniões e conectar pessoas por meio da discussão de questões políticas, reunindo empresas, pensadores, ativistas e artistas.

Confira o artigo que a executiva preparou para contar os detalhes da sua experiência:



IRELGOV na Virada Política: como a sociedade
e o mercado se relacionam com a política

*Por Larissa Wachholz, Vice-Presidente do IRELGOV


Tive o privilégio de representar o IRELGOV em um debate sobre como a sociedade e o mercado fazem uso de advocacy e lobby para se relacionar com a política. O convite veio dos curadores da 3a edição da Virada Política, evento que reuniu na capital paulista indivíduos interessados em debater, em ambiente informal e criativo, temas como democracia, reforma política, gestão pública, transparência, sustentabilidade, direitos humanos, gênero e outros de extrema relevância para uma sociedade politicamente engajada.

É com muita satisfação que vemos temas que nos são tão caros, advocacy e lobby, receberem destaque na programação da Virada de 2016, transformando-se no centro das discussões de um painel que contou com a participação de protagonistas das práticas de advocacy no Brasil, como Instituto Alana, Endeavor, Engajamundo, Pulso Público e Atletas pelo Brasil. Em comum, tais instituições têm a utilização do lobby como parte de suas respectivas estratégias. Como think tank focado nos aspectos de educação e reputação da prática profissional de relações governamentais, o IRELGOV compartilhou com os presentes um pouco de sua visão sobre a legitimidade da interlocução entre interesses privados e governo e o papel fundamental do lobby em uma sociedade democrática.

A influência de agentes públicos por atores privados, em especial empresas, continua sendo tema que levanta polêmica no Brasil. Ao mesmo tempo que diversos espectadores do debate falavam de sua satisfação em ver o lobby das empresas fazendo parte da discussão – o que não ocorreu em outros anos, quando os participantes eram prioritariamente organizações não governamentais – outros se posicionaram claramente contra a ideia de que empresas possam influenciar governos, o que faria pensar que os pleitos empresariais são, necessariamente, nocivos ao interesse coletivo. O diálogo entre os debatedores mostrou que não – pleitos individuais, inclusive de empresas, podem ser de interesse público, e a atuação empresarial por meio de associações pode ajudar a aumentar a representatividade do pleito.

É em momentos como esse que o IRELGOV tem a oportunidade de mostrar a que veio: tentamos informar a sociedade sobre o dia a dia da prática de relações governamentais e o quão importante ela é para a democracia. Independentemente de um pleito ser conduzido a entes públicos por empresas ou outras entidades, o processo deve sempre prezar pelo convencimento baseado em dados, análises, pesquisas. Acima de tudo, deve ser um processo transparente, para que mais pessoas, empresas ou organizações de qualquer tipo tenham acesso aos tomadores de decisão.

Os custos da implementação de estratégias de lobby e advocacy no Brasil fizeram parte da discussão. Deslocamento para reuniões, preparação de dados, realização de pesquisas, entre outros, representam custos que poderiam impedir organizações com menos recursos de influenciar políticas públicas. O debate, no entanto, mostrou exemplos como o Engajamundo, organização que surgiu durante a conferência Rio+20 para capacitar jovens a participar das discussões internacionais sobre clima, cidades, gênero e desenvolvimento sustentável, e que atua nacionalmente com um orçamento bastante baixo.

A Virada Política é um evento predominantemente de jovens, questionadores e com vontade de transformar a sociedade a seu redor. Foi excelente ver a preocupação dos presentes com a política, a democracia brasileira e o exercício do lobby. Já estamos torcendo pelo sucesso da 4a Edição, em 2017, e esperando que a prática de relações governamentais continue tendo seu espaço no debate. Em uma nota mais pessoal, levei meu bebê de dois meses para o evento, para poder amamentá-lo. Fiquei pensando que desejo que ele cresça consciente de seu papel como cidadão, preocupado com a gestão do bem público e zelando por uma relação ética e transparente entre o público e o privado.




Sobre a autora: Larissa Wachholz
É Sócia Diretora da Vallya Negócios e Investimentos e Vice-Presidente do IRELGOV. Mestre em Estudos Contemporâneos da China pela Renmin University of China, tem especializações em Finanças Corporativas e em Relações Internacionais pela London School of Economics em parceria com a Peking University of China. Graduada em Relações Internacionais, Larissa atua nas áreas de desenvolvimento de negócios, fusões e aquisições e relações governamentais.


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