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Edição nº 1 - ANO 3
Julho de 2016

EDITORIAL
Eleições no IRELGOV, novas oportunidades
NOTAS
SEMINÁRIO IRELGOV
O Seminário Desafios sobre Parceria Público-Privada no Brasil, organizado pelo IRELGOV, reuniu especialistas do Governo do Estado de São Paulo e da Academia
PESQUISA
Os eventos que apresentaram a Primeira Fase da Pesquisa de Reputação feita pelo IRELGOV junto aos líderes das principais organizações privadas atuantes no Brasil reuniram mais de 200 profissionais que discutiram fatos e tendências da profissão
ARTIGO
Transição econômica na China e potenciais impactos para os negócios com o Brasil, por Larissa Wachholz

EDITORIAL

Eleições no IRELGOV, novas oportunidades.

A nossa instituição está crescendo e precisa ainda mais de sua colaboração.

Caros amigos do IRELGOV,

Escrevo este editorial com muito otimismo e com a visão em perspectiva de sempre. Estive presente na Assembleia Geral em 18 de dezembro de 2015 e fiquei feliz em ver os resultados obtidos em 2015 e, principalmente, o nosso robusto planejamento estratégico para os anos de 2016/17. Parabéns a todos os que, direta ou indiretamente contribuíram para traçar o plano e implementar as ações.

Quero aproveitar este espaço para falar de futuro, especialmente das próximas eleições. Vamos eleger o conselho deliberativo e a presidência para os próximos dois anos. Vejo que podemos acelerar o crescimento do IRELGOV mantendo o tripé de respeito aos nossos princípios, foco nos objetivos e execução do planejamento estratégico.

Construímos muito até agora e não podemos nos desviar do nosso foco institucional. Devemos, portanto, rejeitar objetivos político-partidários, assim como o egocentrismo. A essência do IRELGOV é a de um time unido, disposto a dialogar para transformar. O IRELGOV é um think tank com dois objetivos claros: 1) a reputação, por meio da valorização da profissão de Relações Governamentais e, 2) a educação, via a facilitação do intercâmbio e o aprendizado de técnicas, estratégias e fundamentos.

O Instituto defende a legitimidade do intercâmbio de informações entre a sociedade e os setores privado e público no Brasil, cujo exercício ajuda a tomada de decisões informadas em prol do interesse de todos. Este processo deve ser amplo, transparente e baseado em critérios objetivos. Decisões sócio e economicamente sustentáveis advêm desse intercâmbio.

Será fantástico ver os todos os associados participando de forma ativa neste novo processo. Assim foi fundado o IRELGOV: com muito diálogo, energia e trabalho em equipe. O planejamento estratégico 2016/17 é prova viva desta colaboração.

Eu estou muito otimista com o futuro do nosso IRELGOV. A principal razão é ver como uma ideia lançada por um aluno empreendedor se propagou e contagiou esse visionário grupo em torno de uma causa comum. O IRELGOV nasceu no diálogo democrático e através da dedicação de todos.

Para aqueles que desejarem saber, eu não posso ser candidato ao Conselho Deliberativo e não o seria se pudesse. Os fundadores sabem o quanto desejamos e trabalhamos para que o IRELGOV se tornasse uma instituição, com muita democracia e colaboração. Assim, não faria sentido repetir a Presidência, mesmo que teoricamente.

Quero parabenizar a equipe que de fato vem dirigindo o IRELGOV pelo seu empenho e dedicação. O planejamento estratégico 2016/17 é um grande exemplo de elevado grau de profissionalismo e trabalho em equipe. Por último, desejo agradecer o carinho recebido na última Assembleia Geral. Foi muito bom vê-los. Estou à disposição de todos e muitíssimo obrigado pela atenção.


Um grande abraço,

Guilherme Athia

EXPEDIENTE #01
ANO 3 - JULHO DE 2016

NEWSLetter é uma publicação do Instituto de Relações Governamentais.
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Guilherme Athia

Kelly Aguilar

Cinthia Battilani

Larissa Wachholz

Silene Moneta

Valeria Café

Viviane Vieira

Criação e Editoração:
Percepção Comunicação Empresarial

NOTAS

Participe da próxima Assembleia Geral Extraordinária e Ordinária no dia 25 de julho às 8h30 no Demarest Advogados

A Assembleia acontecerá no dia 25 de julho de 2016, às 8h30, no Demarest Advogados, localizado à Rua Pedroso de Moraes, 1.201, 6º andar, Pinheiros (Complexo Centro Cultural Ohtake – São Paulo – SP), com a seguinte ordem do dia:

Assembleia Geral Extraordinária:

  • (a) Apreciação e aprovação das contas e do Balanço Geral do IRELGOV referentes aos exercícios sociais de 2014 e 2015.
  • (b) Alteração da sede administrativa e fiscal do IRELGOV, que passará a ser localizada na Rua Gomes de Carvalho, 1.356, 2º andar, cj. 22, Vila Olímpia, CEP 04547-005.
  • (c) Mudanças no Estatuto Social do IRELGOV.
  • (d) Consolidação do estatuto social para validação de todas as alterações.


Assembleia Geral Ordinária:

Acompanhe os candidatos ao Conselho que compõem a chapa única denominada “UNIÃO”:

  • Presidente: Erik Sasdelli Camarano
  • Vice-Presidente: Mirna Larissa Wachholz Cabral
  • Conselheiros:
    • Anselmo Akira Takaki
    • Cinthia Battilani Giantomassi Medeiros
    • Clésio Gabriel Di Blasi Júnior
    • Kelly Cristiane Aguilar
    • Manoel Fernandes Macedo Júnior
    • Paulo Henrique Spirandeli Dantas
    • Silene Tognoli Galati Moneta
    • Valéria Mandia Café

Se você é associado, confirme a sua presença no e-mail: irelgov@irelgov.com.br

Sua participação e engajamento são fundamentais para o Instituto!





Guilherme Athia, em sua viagem ao Brasil, contou ao IRELGOV como é o Processo de Relações Governamentais na Europa


Guilherme Athia esteve no Brasil em 18 de dezembro de 2015, ocasião em que falou para o IRELGOV sobre seu aprendizado como Relações Governamentais para Europa, Oriente Médio e África, desde setembro de 2014.

Especificamente em relação às Relações Governamentais na União Européia, ficou claro que o processo de aprovação de novas regras é geralmente muito discutido entre os países membros (Conselho), a Comissão Europeia, e o Parlamento Europeu. Os representantes da sociedade, interesses privados e tantos outros tem vários canais para participar deste processo. "Há pelo menos 30.000 lobistas em Bruxelas, quase igualando os 31.000 empregados pela Comissão Europeia", de acordo com o jornal inglês The Guardian.

Os debates levam em conta interesses políticos mas tem enorme componente técnico. Há sempre muitas referências a conteúdos similares ou resultados anteriores, dados e opiniões técnicas. O trabalho do profissional de Relações Governamentais em Bruxelas implica em intensa preparação antes de apresentar seus pontos de vista. A Agenda da UE tem que levar em consideração a visão os 28 estados membros, com várias características diferentes entre si, como área geográfica, população, economia, história, cultura e tantos outros. O profissional de Relações Governamentais deve se aprofundar nos estudos e pesquisas sobre a impacto regional e nos países membros sobre temas de seu interesse, para tentar antecipar como os processos de discussão e decisão vão se suceder em Bruxelas e nas outras capitais.

Guilherme fez recentemente um treinamento no College of Europe sobre a União Européia e lembrou que estudar é sempre necessário para complementar o aprendizado prático. Ele recordou a alegria de rever os colegas do IRELGOV e disse que tem saudades do espírito alegre e brincalhão do brasileiro. Também sente falta das aulas e do contato com os alunos e colegas professores e espera ter tempo para retomar a vida acadêmica um dia.



Aluno de Harvard chega ao Brasil para estágio na Ápice, por meio do IRELGOV


“When I first start working at the churrascaria across the street in front of my house, my new coworkers quickly took note of my interest in the Portuguese language”...assim começa o texto da Elizabeth Morin, uma aluna de Harvard que se encantou pelos brasileiros com os quais ela trabalhava em uma churrascaria em frente à sua casa, no estado da Califórnia. A paixão foi tanta que Elizabeth aprendeu português, fez o programa Harvard MLab no Brasil e agora, a partir do dia 18 de julho, ficará 6 semanas no Brasil, realizando um estágio na Associação Atletas pelo Brasil - Apice.

A Atletas pelo Brasil é uma organização sem fins lucrativos que reúne, em uma iniciativa inédita no mundo, atletas e ex-atletas de diferentes gerações e modalidades pela melhoria do esporte e, por meio do esporte, pelos avanços sociais do país.

O IRELGOV acompanhará as atividades da Elizabeth na Apice e acompanhará o desenvolvimento do estudo de caso do aluno, sendo que seu resultado será apresentado ao final de sua visita ao país, para todos os associados do Instituto.

Aguarde!

O SEMINÁRIO DESAFIOS SOBRE PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA NO BRASIL ORGANIZADO PELO IRELGOV
REUNIU ESPECIALISTAS DO
GOVERNO DO ESTADO DE
SÃO PAULO E ACADEMIA

No dia 18 de março, o IRELGOV promoveu o Seminário sobre PPP´s no Brasil. O evento contou com a participação de Marcelo Allain, economista, mestre em economia pelo IPE/USP, atualmente Secretário Executivo do Conselho Gestor de PPP do Estado de São Paulo e professor dos cursos MBA da FIPE; Mario Porto, psicólogo e mestre em Saúde Pública pela USP, funcionário de carreira da Secretaria da Fazenda Estadual e atua na Corregedoria Geral da Administração da Secretaria de Governo do Governo do Estado de São Paulo; Erik Macedo Marques, advogado e cientista político com ampla experiência em assuntos administrativos do Estado brasileiro e o mediador Erik Camarano, Vice- Presidente de Relações Governamentais e Políticas Públicas da General Electric para América Latina.

O evento reuniu associados do IRELGOV, convidados de governo e parceiros, atendendo a uma demanda dos associados para ampliar o relacionamento e possibilidades de diálogos com governos dos Estados, reunindo especialistas do Governo de São Paulo e academia.

Erik Camarano falou sobre os desafios das PPP’s por parte das empresas privadas, ressaltou que elas são essenciais para o desenvolvimento do país e um modelo que deve ser adotado com mais frequência por trazer benefícios reais ao avanço das políticas públicas e de infraestrutura. Destacou a pressão competitiva por parte das empresas e a necessidade de maior compreensão sobre o funcionamento da estrutura e processos do setor público.

Em sua opinião, é preciso combinar técnicas de gestão, foco no resultado e transparência entre as partes, para garantir melhores resultados e para que a sociedade possa cobrar empresas e governo por políticas públicas mais adequadas.

Erik Macedo Marques apresentou os fundamentos das PPP’s. Esclareceu que, por se tratar de contratos de valores altos e prazos longos, elas são o instrumento adequado para investimentos do setor privado para as ações de infraestrutura. Erik defendeu que esse modelo de contrato gera um novo tipo de relacionamento entre o Poder Público e os entes privados contratados, objetivando a segurança jurídica e as diretrizes de responsabilidade fiscal.

É possível afirmar que, para o parceiro privado, a segurança que esse modelo de contrato oferece pode ser traduzida na repartição objetiva dos riscos entre as duas partes do contrato e, especialmente, em situações de caso fortuito ou força maior. Esse modelo também traz segurança na aplicação de penalidades contratuais, ao contrário do que rezava a maioria dos contratos administrativos, sendo agora admitida tanto para o concessionário privado quanto para o ente público contratante e vice-versa. E, por exigir vultosos investimentos iniciais na infraestrutura de serviços públicos, a lei também aponta para diversos mecanismos de garantia não só do concessionário contratado, mas dos financiadores do projeto.

Na sequência, Marcelo Allain apresenta um dos principais projetos do Governo do Estado em PPP´s: a Plataforma Digital de Parcerias, que tem por objetivo trazer investimentos para as iniciativas de governo, especialmente referentes a obras de infraestrutura por meio de parcerias público-privadas e concessões.

Marcelo informou que, a partir do lançamento dessa plataforma em julho de 2015, toda e qualquer MIP – Manifestação de Interesse Privado e demais propostas sobre PPPs e/ou Concessões deverão passar obrigatoriamente por essa plataforma.

O acesso à Plataforma Digital de Parcerias pode ser feito pelo site da Secretaria de Governo em Ações > ícone de Parcerias e Inovação. A nova ferramenta pretende agilizar os processos e reduzir o tempo de resposta do governo às investidas em projetos de parceria e/ou concessão. O prazo total entre o envio de propostas por empresas privadas e o retorno do Governo deve ser de 60 dias.

O fluxo de envio/retorno se dará da seguinte maneira: Cadastro da Proposta na Plataforma (o acesso a proposta é restrito ao Governo) > Proposta é recebida pela Subsecretaria de Parcerias e Inovação > Avaliação do Comitê Técnico > Aprovação do Conselho Gestor de PPP’s > Validação da Consultoria Jurídica do Governo > Resposta ao proponente.

Caso o projeto seja de interesse do Governo Estadual e cumpra os requisitos legais, o Governo abrirá um chamamento público para apresentação de estudos, que pode ou não vir a subsidiar uma PPP. Na verdade, esse processo parece complexo, mas é bem claro e eficiente.

A Subsecretaria de Parcerias pretende reforçar a comunicação direta com os investidores e garantiu que a estrutura será capaz de atender aos interessados nas parcerias e concessões com suporte jurídico para respaldar a plataforma.

Ainda em sua apresentação, Marcelo apresentou os principais projetos de PPP´s em andamento no Governo do Estado, sendo elas: Rodovias, Transporte Urbano, Habitação, Saúde, Saneamento e Abastecimento de Água.

Por sua vez, o Professor Mário Porto trouxe dados importantes sobre a administração do Governo do Estado. O Estado de São Paulo é hoje um dos maiores empregadores do país. Apesar de ainda ter algumas carências provenientes do sistema burocrático, nos últimos anos melhorou muito sua forma de gestão, ao mesmo tempo em que viu aumentar muito a demanda por parte da população – o que faz com que exista um desnível entre a expectativa/necessidades da população e a possibilidade do Estado em atender a essas demandas. A gestão pública tem o desafio de conciliar as possibilidades de entrega e as necessidades do seu maior cliente: o cidadão, causando, muitas vezes, um descompasso.

O uso das tecnologias bem empregadas e as novas práticas administrativas de gestão de dados e de comunicação proporcionam maior agilidade e eficiência. As vantagens vão desde a padronização de processos, desmaterialização do papel, redução de custos e aumento da produtividade, até a promoção de um governo mais transparente e eficiente. A tecnologia tem sido aplicada para eliminar controles manuais que estão mais sujeitos a erros.

As PPP´s têm a vantagem de a obra ser financiada com recursos privados, o que permite ao governo aumentar o investimento em infraestrutura sem aumentar seu endividamento, utilizar a maior capacidade administrativa e de inovação e transferir pelo menos parte do risco do investimento para o setor privado.

Já para o setor privado, as PPP´s abrem novas oportunidades de investimento em áreas que sempre foram monopólio do investimento público. O professor Mário Porto defende que, da mesma maneira que a gestão pública pode aprimorar processos com o setor privado, o setor privado deve aprender com a gestão pública alguns modelos de gestão que, inclusive, são usados como referência em outros países.

OS EVENTOS QUE APRESENTARAM A 1ª. FASE DA PESQUISA DE REPUTAÇÃO DO IRELGOV JUNTO AOS PRINCIPAIS LÍDERES DAS ORGANIZAÇÕES PRIVADAS ATUANTES NO BRASIL REUNIRAM MAIS DE 200 PROFISSIONAIS QUE DISCUTIRAM FATOS E TENDÊNCIAS DA PROFISSÃO


O IRELGOV, em parceria com a Fundamento RP, realizou, no primeiro trimestre de 2016, uma pesquisa de Reputação do Profissional de Relações Governamentais junto aos principais líderes das organizações privadas atuantes no Brasil.

A pesquisa de Reputação visa mensurar o nível de conhecimento sobre o profissional de relações governamentais e a relevância dada à sua atuação em três esferas: corporativa, ao serem entrevistados CEOs e os pares desses profissionais, executivos de primeiro nível das empresas nas áreas Jurídica, Financeira, Marketing e Comunicação; entre os próprios profissionais da área e entre os profissionais de governo. As duas fases seguintes (profissionais da área e profissionais de governo) acontecerão a partir do segundo semestre de 2016 e seguirão até o final de 2017.

A primeira fase entrevistou 71 executivos de grandes empresas, sendo 33% CEOs e VPs dos mais diversos setores, dentre eles indústria farmacêutica, serviços, bens de consumo, bens de capital, tecnologia, dentre outros.

De acordo com Valeria Café, do Conselho Deliberativo do IRELGOV, as descobertas dessa primeira fase foram excelentes. Primeiro porque vimos que 80% dos entrevistados percebem a atividade de Relações Governamentais como legítima, além de 90% dos entrevistados dizerem que é sempre possível ser transparente na relação da empresa com o governo.

Para Camila Curado, Head da Fundamento RP que realizou as pesquisas junto aos executivos, apesar de 74% dos respondentes saberem que a articulação das empresas junto ao governo em defesa de direitos próprios não é bem vista atualmente, 56% consideram que a reputação do profissional de relações governamentais vem mudando para melhor nos últimos anos, principalmente no mercado corporativo. Prova disso é que 38% dos gestores desse profissional de relações governamentais e seus pares o consideram um estrategista, 28% o consideram ético e 25% o consideram um negociador eficiente.

Para Camila, também é relevante mencionar que, para 90% dos respondentes, é possível ser transparente na relação com o governo. Ainda, para cerca de 80%, atuar na defesa de interesse de uma empresa ou setor é legítimo, mesmo que esse interesse seja contrário ao de outros grupos.

Nessa pesquisa, Valeria explica que o conselho do IRELGOV percebeu que há, ainda, um longo trabalho a ser feito por todos os profissionais de relações governamentais. Um bom exemplo disso é a indicação de que reforçar os fundamentos e o conhecimento técnico do profissional de relações governamentais, por meio de sua educação, é tão importante para sua atuação como o bom relacionamento com entes externos. Fundamento, conteúdo e relacionamento devem andar alinhados.

Outro espaço apontado para ser aprimorado é a forma: A defesa de interesse será legitimada e menos polarizada com o apoio e reconhecimento da sociedade. Isso se faz ao envolver, de forma sistêmica, os diversos stakeholders, incluindo, além dos setores privado e governo, as ONGs e a academia na agenda de formação de política públicas.


Mais de 200 pessoas compareceram aos eventos de São Paulo e
Brasília para apresentação da Pesquisa de Reputação

O dia 02 de maio começou agitado na sede da CNI em São Paulo. Os primeiros a chegar para o evento de apresentação da Pesquisa de Reputação foram os panelistas convidados: Eliana Tameirão, então gerente geral da Sanofi Genzyme e hoje diretora de Políticas para Saúde da Sanofi Genzyme América Latina e Gilberto Peralta, Presidente da GE Brasil. O debate foi moderado por Pablo Cesário, responsável pela área de Relações Governamentais da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Entre os assuntos abordados entre os palestrantes, além da pesquisa, foram a importância do profissional de relações governamentais, a questão das empresas atuarem como atores legítimos do processo democrático, a importância da adoção dos processos de compliance nas empresas e nas associações de classe e a punição efetiva em caso de não cumprimento dessas regras, o papel das associações de classe no Brasil, a necessidade da Regulamentação do Lobby, a atividade de advocacy, dentre outras questões, que demonstram o quanto o Instituto de Relações Governamentais ainda pode e tem a função de dialogar, de forma a aprimorar a qualidade dos relacionamentos entre as partes no Brasil.

Para Gilberto Peralta, a profissão de Relações Governamentais é importante e crucial. “No longo prazo, haverá uma percepção da sociedade de que o profissional que trabalha com relações governamentais ajuda as empresas a dialogar com o governo e as partes interessadas, de forma a trazer melhores serviços e produtos, atendendo aos reais interesses da sociedade”.

Eliana Tameirão reforça que nós, profissionais de relações governamentais temos muito o que construir, passando pela formação desses profissionais e na construção de um guia de melhores práticas da profissão. E conclui: “Podemos buscar práticas em outros mercados internacionais, mas nunca esquecer que temos uma cultura específica, somos um país diferente. É preciso trabalhar junto a todos os stakeholders de forma ética e transparente e de forma a construirmos o nosso caminho”.

Já, em Brasília, a apresentação dos resultados da 1ª. fase da Pesquisa de Reputação foi realizada no IBMEC no dia 07 de junho e contou com a presença expressiva de mais de 100 participantes. Márcio Coimbra, Coordenador do MBA em Relações Institucionais do IBMEC Brasília abriu o evento em conjunto com Larissa Wachholz, do Conselho Deliberativo do IRELGOV. Camila Curado, da Fundamento RP, apontou os principais resultados da pesquisa e, em seguida, abriu-se o debate entre Fábio Rua, da IBM, e André Gustavo Rosa, do UBER, sob a moderação de Alberto Bueno, da Concordia Public Affairs.

Questionados a respeito dos recentes escândalos de corrupção revelados no Brasil e sua possível influência no dia a dia de um profissional de relações governamentais, Fábio e André concordaram sobre a importância de se incorporar verdadeiramente códigos de conduta no DNA das empresas. Muito além de um mero processo burocrático que exige uma assinatura, para que o compliance seja sustentável, é preciso incorporá-lo verdadeiramente, promovendo grupos de discussão dentro da empresa e pregando sua aplicação em todos os níveis de relacionamento governamental – federal, estadual e municipal. Os debatedores ressaltaram que é impossível que um profissional de relações governamentais mantenha relacionamentos pessoais com todos os seus interlocutores em níveis tão diferentes da administração pública, indicando que o fundamental para a realização de um bom trabalho na área não depende, necessariamente, de quem você conhece. Se assim fosse, a cada queda de ministro, todo o trabalho de interlocução feito anteriormente estaria perdido.

Fábio Rua destacou a necessidade de transformação da atividade de relações governamentais, provocando os presentes a repensar sua forma de atuação incorporando ativamente ferramentas de mídias sociais e tornando pública sua rotina de trabalho. Segundo ele, cada vez mais o trabalho de um profissional de relações governamentais se assemelha ao de um relações públicas. Nesse sentido, deve-se reconhecer o papel importante que a tecnologia adquire, pois permite contar com o apoio da sociedade civil na comunicação de determinados movimentos ou posições.

Avaliando as principais características de um bom profissional de relações governamentais, André Gustavo disse que não há relacionamento sem conteúdo, assim como não há conteúdo sem relacionamento. Ilustrou sua afirmação apontando que é preciso ser capaz de abrir portas ao mesmo tempo em que se é objetivo e direto, fazendo uso eficiente do pouco tempo disponível em um intervalo no Congresso, por exemplo, para apresentar um argumento.

Quando o debate foi aberto aos participantes, Fábio e André falaram sobre como lidar com os “clientes internos” da empresa. A capacidade de comunicação interna foi destacada como um instrumento importante de trabalho, com o objetivo de mostrar, com humildade, que o profissional de relações governamentais faz parte da equipe para também ajudar a encontrar soluções para os problemas da empresa. Neste sentido, André destacou que é preciso tratar os relacionamentos com interlocutores como um ativo da empresa e não do profissional, reduzindo o grau de personalização e tornando a informação fluida dentro da corporação.



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ARTIGO:

TRANSIÇÃO ECONÔMICA NA CHINA
E POTENCIAIS IMPACTOS PARA OS
NEGÓCIOS COM O BRASIL

A China passa por uma importante transição econômica que vem sendo prevista e largamente anunciada por seus governantes há alguns anos. O “novo normal”, como é denominada a nova fase pelos líderes chineses, consiste no abandono de um modelo de crescimento que perdurou ao longo das últimas três décadas e permitiu à China crescer a praticamente dois dígitos anualmente, tendo como pilares forte investimento estatal (em construção, infraestrutura e indústria, prioritariamente); vocação exportadora e manufatura intensiva em energia. A mudança radical de estratégia é de suma importância para o desenvolvimento do país, pois o sistema que tirou mais de 300 milhões de pessoas da pobreza em 30 anos também levou ao aumento significativo da desigualdade, a altos níveis de poluição, ao caos no trânsito de grandes cidades e, principalmente, ao excesso de capacidade produtiva.

Consciente dos problemas sociais, ambientais e econômicos que enfrenta, a China busca garantir crescimento econômico com maior qualidade e equilíbrio, promovendo reformas estruturais que fomentem o incremento do consumo interno, a maior eficiência energética, o controle dos níveis de poluição, o desenvolvimento de fontes renováveis de energia e uma melhor distribuição de renda. O ajuste estrutural nas bases que sustentaram o desenvolvimento econômico chinês ao longo dos últimos anos vem, necessariamente, acompanhado de desaceleração econômica – ainda que a previsão seja de respeitáveis 6% a 7% ao ano até 2020. Além disso, trata-se de um processo complexo e penoso de ajustes que muda a relação de comércio e investimentos da China com o mundo.

O “novo normal” é um caminho sem volta. Não existe a possibilidade de a China voltar a crescer nos níveis observados no passado e o mundo precisará se adequar a isso, com todas as implicações em termos de ajuste de oferta e demanda que resultarão. As reformas da economia chinesa apontam na direção de uma maior eficiência e produtividade das empresas estatais, combate à corrupção, foco no lucro e no uso racional de recursos energéticos e financeiros, consolidação de determinados setores e, sobretudo, do aumento qualitativo da renda e do consumo. Pode-se imaginar que transformações tão profundas sejam de difícil implementação, especialmente diante da escala que qualquer fenômeno adquire no contexto chinês. De forma sucinta, examinamos a seguir dois dos elementos de ajuste que preocupam mercados internacionais e afetam o Brasil:

  • Demanda por commodities: a importação em larga escala de commodities energéticas, minerais e agrícolas fez parte do modelo econômico em vigor na China até então, levando à alta de preços internacionais que beneficiaram países exportadores de matérias-primas, entre eles o Brasil. Com a mudança no padrão de seu desenvolvimento econômico, a China reduzirá o crescimento da demanda, principalmente por minerais e, por vezes, a própria demanda absoluta de commodities, e os picos de preços que vimos no passado recente não devem se repetir. O comércio com o Brasil está e continuará sendo diretamente afetado. Em comparação com 2014, o minério de ferro, que representou 18,1% de nossas vendas para a China em 2015, apresentou crescimento de 3% em volume exportado, mas os baixos preços internacionais do produto reduziram em 48% o valor total das operações(1). A soja, correspondente a 44,3% das exportações brasileiras para o país asiático em 2015, cresceu 25% em volume, graças à política de aumento da renda das famílias chinesas, mas apresentou valor 5% menor devido à queda dos preços do grão(2). O petróleo, terceiro item da pauta, com 11,6% do total exportado do Brasil para a China, cresceu 19% em valor e 136% em volume em 2015(3) e deve ser a exceção à regra do arrefecimento da demanda, apresentando crescimento de 3 a 5% ao ano, conforme cresce a demanda por transporte no país(4). A abertura do mercado chinês à carne bovina brasileira em 2015 também aponta para o surgimento de um mercado promissor, tanto no que diz respeito ao incremento das exportações, como na atração de investimentos estrangeiros diretos. Os números mostram, portanto, que os países emergentes e o Brasil precisarão adaptar suas expectativas à nova realidade chinesa.

  • Investimento da China no mundo: há cerca de 10 anos, o governo chinês passou a estimular fortemente as empresas do país a realizarem investimentos no exterior, o que ficou conhecido como “going out policy”. As motivações para o investimento chinês no mundo são diversas: aquisição de tecnologia; acesso a recursos energéticos, minerais e agrícolas; abertura mais eficiente a novos mercados consumidores; e diversificação das fontes de receita das empresas. Aproveitando-se do potencial do seu mercado interno, empresas chinesas têm focado, ainda, na aquisição de marcas estrangeiras de consumo e serviços nos mais variados setores (alimentação, vestuário, entretenimento, saúde), com o objetivo de desenvolvê-las dentro da China. O “novo normal” da China continua apontando para o posicionamento do país como importante exportador de capital e o Brasil tem sido e pode continuar a ser o destino de parte significativa destes fluxos, desde que seja capaz de tornar-se atrativo ao investimento estrangeiro – maior desafio do país neste momento, que enfrenta uma crise política e econômica sem precedentes. A fim de viabilizar o investimento de suas empresas no mundo, o governo chinês faz uso das reservas internacionais que acumulou para estabelecer fundos com foco setorial e regional (China-África, China-América Latina); diversificar a atuação de seu fundo soberano; estimular a criação de bancos de desenvolvimento internacionais (Novo Banco de Desenvolvimento – o banco dos BRICS, e o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura); e disponibilizar empréstimos em condições preferenciais às estatais e às maiores corporações privadas do país. No curto prazo, a desaceleração econômica da China não implicará uma redução dos estímulos ao investimento estrangeiro chinês, ainda que experiências mal sucedidas no passado recente façam com que o governo esteja cada vez mais cauteloso com a utilização dos recursos, cobrando das empresas tomadoras do crédito maior eficácia na avaliação dos riscos e implementação dos projetos.

Um terceiro elemento que assusta investidores do mercado financeiro é a turbulenta bolsa de Xangai, que gera especulações sobre a China estar passando por uma grande crise que pegaria a todos de surpresa. Como expusemos até aqui, a economia chinesa está, de fato, desacelerando, mas não se trata de uma grande crise e muito menos de uma surpresa. A desaceleração é fato previsto e esperado. Uma parte da turbulência é explicada por ser a bolsa de valores um instrumento relativamente novo de investimento, onde praticamente apenas nacionais chineses investem e que é vista por muitos locais como uma espécie de cassino, e não um investimento calculado e de longo prazo. É baixa, então, a exposição de investidores internacionais e existe muita especulação local. A grande consequência para o mercado externo e, particularmente para o Brasil, da turbulência da bolsa chinesa é a possível redução da capacidade de consumo dos investidores locais que tenham perdido grandes somas e da capacidade de financiamento das empresas listadas cujas ações caíram (imaginando-se que essas mesmas empresas não tenham capacidade de se financiar junto aos bancos).

O momento econômico pelo qual passa a China é, portanto, de transição e reforma. Roberto Dumas Damas, um dos maiores especialistas em economia chinesa no Brasil, explica em seu livro Economia Chinesa (2014, Editora Saint Paul) que, ao longo das últimas décadas, o governo chinês financiou o investimento em infraestrutura e a expansão da capacidade produtiva com a poupança das famílias chinesas, por meio da baixa remuneração da mão de obra – comparado com sua produtividade e repressão financeira. O objetivo das reformas atuais é reequilibrar as bases do crescimento da economia e aumentar a renda e o poder de compra dos indivíduos, transferindo recursos da indústria – que atualmente sofre de excesso de capacidade produtiva – para os consumidores. Resta saber com que eficácia a liderança chinesa será capaz de conduzir e levar a bom termo esse processo.

O aumento do consumo na China pode ser muito positivo para o Brasil, na medida em que o câmbio atual torna nossas exportações mais competitivas e poderíamos aproveitar o momento para exportar ao país produtos de maior valor agregado, diversificando a pauta. Está nas nossas mãos aproveitar da melhor forma possível a nova fase da economia chinesa, olhando de forma realista para as transformações do país asiático e contornando nossos próprios problemas de falta de competitividade no mercado externo. Os consumidores chineses estão ávidos por consumo, mas têm diante de si um leque de opções com produtos e marcas do mundo inteiro.

Finalmente, aproveito esta discussão para destacar um tema de que trataremos em artigos posteriores: a importância de se entender o direcionamento das políticas públicas dos países com os quais a China mantêm relações de comércio e investimento. Isso é também um trabalho do profissional de relações governamentais. Em um sistema fechado como é o caso do chinês, tal prática, tão necessária, torna-se particularmente complexa. Ainda assim, é indispensável o planejamento estratégico das organizações.

(1) Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), 2016. 48ª edição do CEBC Alerta. Rio de Janeiro, RJ, 22/01/2016.
(2) CEBC, 2016.
(3) Idem.
(4) Gavekal Dragonomics, 2016. Palestra de Arthur Kroeber na Federação das Indústrias do Estado de São. São Paulo, SP, 03/03/2016.


Sobre a autora: Larissa Wachholz
É Sócia Diretora da Vallya Negócios e Investimentos e Membro do Conselho Deliberativo do IRELGOV. Mestre em Estudos Contemporâneos da China pela Renmin University of China, tem especializações em Finanças Corporativas e em Relações Internacionais pela London School of Economics em parceria com a Peking University of China. Graduada em Relações Internacionais, Larissa atua nas áreas de desenvolvimento de negócios, fusões e aquisições e relações governamentais.


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